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domingo, 24 de maio de 2020

A Cura


Passei grande parte da vida ouvindo que eu tinha uma doença sem cura. “Possui tratamento, mas não tem cura”, diziam. Como assim produção? Uma doença tão antiga, tão cheia de estigmas e apelidos (mal sagrado?) e a venerada ciência dos homens não encontrara a cura? Pois é. Até hoje, mais de 20 anos depois do meu primeiro sintoma, nada mudou nos protocolos médicos no tratamento da doença. Estou curada e não foi a ciência que me deu a cura.

Os próprios médicos estão cientes, que em muitos casos as crises tendem a desaparecer às vezes espontaneamente. O tratamento apenas ameniza os sintomas, ou pelo menos tenta. Nesse mesmo período, nos 17 anos de convívio com a doença, fui alternando medicações até encontrar alguma que não me sedasse completamente. E se eu fosse me impressionar com os possíveis efeitos previstos nas bulas de cada um deles! Hidroxicloroquina é suquinho de uva perto de cada medicação que já tomei! Ou seja, só precisei ir trocando a medicação para conseguir ficar acordada na maior parte do tempo, e não por causa de nenhum outro problema previsto que não era pouca coisa.

Sendo assim, por experiência própria, nunca lanço minhas cartas todas no quesito ciência e muito menos me impressiono com efeito colateral de bulas. Elas estão ali porque precisam, está documentando que alguém, alguma vez na vida reagiu mal à medicação, mas se fosse uma substância tão maligna já teria saído de circulação, principalmente substâncias com mais de 60 anos de uso. Não me parece racional ter medo de algo velho conhecido, pela mesma ciência a que exaltam. Por outro lado, dá para desconfiar de uma vacina saída a toque de caixa, principalmente se vierem do oriente ou do Bill Gates! Há mais interesses escusos do que imagina minha vã filosofia! Mas, e agora José?

Agora nos resta esperar. As tribulações nos ensinam. Não adianta desesperar. Aliás o desespero cega, a histeria nos tira do prumo, perdemos totalmente o pouco de controle que podemos exercer sobre nossas vidas. Digo pouco, porque nosso campo de atuação é pequeno debaixo do sol, como dizia Salomão. O que acontece por aqui é só parte do que podemos ver da história. Sabe aquele trecho bíblico popularizado pelo Legião Urbana, numa música muito bonita que mistura o poema de Camões com 1 Coríntios 13? “Agora vejo em partes, mas então veremos face a face” (Veja 1 Cor 13:12).

Quem é aficionado por séries de streaming deveria estar acostumado que os porquês de todo o enredo só são mostrados no final da última temporada. Há indícios de que o final está próximo, e há mais de 2000 anos os cristãos são ensinados a estar sempre à postos, esperando o grande dia que precede o fim. Confuso? Pode ser. Nem sempre fui cristã, por muito tempo fui católica não praticante, que é uma forma legal de dizer que não é ateu nem evangélico, mas não tem vida espiritual ativa, o que equivale a ser um mero professo, cristão da boca para fora, por isso sei que não é fácil entender. Mas sei que é possível!

Para os males do mundo, sei que se o homem não conseguir encontrar uma droga que cure o tal Covid-19, se for da vontade de Deus, Ele mesmo pode erradicar essa praga da humanidade. Assim como nada está ocorrendo sem sua permissão, com um propósito que desconhecemos. Deus não precisa ser bonzinho aos moldes que o homem pensa que a justiça deve ser. O modo bonzinho, muitas vezes é condescendente, cúmplice. O Deus justo disciplina àquele que ama. E não dá para negar que as lições aprendidas na dor são as que carregamos com mais zelo pelo resto de nossas vidas! O fato de não entender os desígnios de Deus não quer dizer que Ele seja injusto ou esteja errado. Quer dizer apenas que você é um ser humano limitado e pecador, e que ainda existe nesse mundo graças a misericórdia dEle que espera que você creia e seja salvo de um destino nada glorioso.

Confiem! A causa de todo o mal é a mesma desde que nos entendemos como humanidade: o pecado. Ou seja, não há novidade por aqui não! São facetas modernizadas da mesma raiz maldosa que há no ser humano desde a queda. Nós nos surpreendemos com a maldade humana, mas Deus já conhece todo o potencial cruel que podemos alcançar, e já providenciou inclusive o castigo, a solidão por três horas sem Deus na cruz de Cristo. O Senhor Jesus já pagou por todo mal que somos capazes de praticar quando ainda não éramos nem um zigoto no ventre de nossas mães, que por sua vez ainda nem eram nascidas, nem nossas tataravós. Então, “agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor”. 1 Coríntios 13:13. Espere!

"Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado". 
Romanos 5:1-5

domingo, 12 de abril de 2020

Pensamentos Perversos


No início deste mês saiu uma notícia dizendo que o Presidente das Filipinas mandou a polícia atirar para matar quem descumprisse regras de isolamento devido ao Coronavírus. Li alguns relatos escandalizados com a notícia, eu mesma não vi lógica no raciocínio, afinal, se o isolamento é para – supostamente – salvar vidas, por que matar à tiros tem primazia contra o contágio do vírus, que por si só é letal para a minoria dos contaminados? Quando é que ir e vir foi constituído crime para justificar ação de polícia seja para matar, seja para prender? E não está faltando muito para que a pretensão do presidente das Filipinas chegue ao Brasil. Caiu nas graças de muitos a ideia de colocar na conta do vírus a justificativa para extravasar sentimentos bem autoritários e, por que não dizer, cruéis.

Citei muitas vezes aqui a obediência às autoridades, e as mantenho. Mas acredito que cabe uma ressalva nesta situação. Como escreveu Mario Persona: “um policial ou soldado cristão deve buscar a orientação de Deus de como agir. Veja o caso dos alemães durante a 2a. Guerra. Obviamente eles estavam sob uma autoridade superior, mas essa autoridade ordenava que matassem judeus e ciganos inocentes, não por terem praticado algum crime, mas simplesmente por serem de outras etnias. Neste caso um cristão devia obedecer primeiro a Deus do que aos homens. Não deveria se sujeitar às ordens de Hitler, embora isso provavelmente lhe custasse a própria vida”.

Há quem possa dizer que não é inocente quem rompe o isolamento, pois está se colocando em risco, e podendo ao se contaminar, transmitir o vírus para outras pessoas. Sendo assim não são inocentes jornalistas, motoboys, farmacêuticos e todas as pessoas que estão trabalhando nos chamados serviços essenciais. Diriam ainda: mas estes estão autorizados! E o risco de contaminação, por acaso, não é o mesmo? E se não há crime, não há inocentes ou culpados! Ao menos no Brasil, no que diz respeito à lei de enfrentamento ao Covid-19 temos:

Art. 2º Para fins do disposto nesta Lei (13.979 de 06/02/2020), considera-se:
I - isolamento: separação de pessoas doentes ou contaminadas, ou de bagagens, meios de transporte, mercadorias ou encomendas postais afetadas, de outros, de maneira a evitar a contaminação ou a propagação do coronavírus; e 
 
II - quarentena: restrição de atividades ou separação de pessoas suspeitas de contaminação das pessoas que não estejam doentes, ou de bagagens, contêineres, animais, meios de transporte ou mercadorias suspeitos de contaminação, de maneira a evitar a possível contaminação ou a propagação do coronavírus.
Não há na lei federal fundamento que impeça o direito de ir e vir geral, são situações específicas. Existem outros critérios na lei, mas não vem ao caso nesse post. O objetivo é outro: faz sentido, nesse contexto, matar para evitar mortes? Não se trata nem de justiça com as próprias mãos. É suposto justo que a polícia possa matar quem põe em risco a vida de terceiros simplesmente ao se locomover e em hipótese aumentar o contágio, ao passo que se supõe igualmente justo, soltar da prisão pessoas que por lei foram responsabilizadas por crimes - inclusive homícidios e estupros - para que não se contaminem no isolamento social da cadeia! Não parece óbvio a corrupção dos valores? O real problema não é social é espiritual. Sem um princípio condutor seguro, as pessoas são levadas por todo tipo de opinião que pareça correto aos seus próprios olhos, que por natureza é cega aos princípios de Deus desde que o pecado entrou no mundo.

As perspectivas das pessoas em plena pandemia está muito curta. Que diferença faz morrer de Coronavírus ou “morte natural”, se na prática toda morte é resultado de uma única coisa: o pecado? "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor". Romanos 6:23. Devemos por isso descuidar da saúde, da higiene e dos hábitos alimentares, por que o que importa é o céu? De maneira nenhuma, mas qual importa mais? O que se passa no coração de quem concorda em abater um sujeito a tiros por simplesmente circular pela rua em tempos de pandemia? O que mais se vê são pessoas desejando a morte dos rebeldes da quarentena. O que faz dos obedientes mais dignos que os rebeldes, se na prática, tanto uns quanto os outros terão o mesmo destino se não tiverem fé nAquele que pagou pelos seus pecados na cruz? O que tem por traz desse tipo de sentimento? Será que já não há um mal muito mais nocivo que Covid-19 corroendo o coração e a alma das pessoas e que as circunstâncias só estão ajudando a trazer à luz? Como está o teu coração nesta quarentena?

Estas seis coisas o Senhor odeia, e a sétima a sua alma abomina:
Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, 
O coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal,
A testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.

Provérbios 6:16-19

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Não vos inquieteis pelo dia de amanhã


Por razões óbvias – pelo menos para quem me conhece – nunca gostei de zoológico, aquário ou gaiolas. Dizia: de bicho preso já basta eu! E olha só, ontem vi pessoas fazendo coro comigo! Isolamento social é uma realidade velha conhecida, ela não me espanta e não me causa pânico. Claro, reconheço que a causa é outra, meu isolamento anterior atingia só a mim, familiares e sem nenhum prejuízo a algumas pessoas que me “socorreram” nos tempos de escola. Inclui aspas, porque socorrer não é bem a palavra. Alguns deram uma forcinha quando minha consciência tinha ido passear para um lado enquanto o corpo caminhava para outro, ou caiu em estado de poesia, como romantizou Mario Quintana.

Pode ser meio chato eu ficar repetindo isso. Mas está sendo inevitável a associação dos fatos. O objetivo comum é o mesmo: isolar para preservar. Preservar quem do que, é questionável. Mas lá no passado só me cabia obedecer àqueles que exerciam autoridade sobre mim – no caso minha mãe, e aqueles que me sustentavam. E aqui, aos poucos começou toda a minha trajetória para ganhar forças para romper o isolamento.

É fácil sustentar crianças e adolescentes. Agora experimenta sustentar adultos improdutivos para ver se a coisa não muda de figura! Dos 18 anos em diante era o que me tornei, e esta experiência é uma das mais terríveis possíveis. “Como assim?” - Lamentava. “Eu quero trabalhar! Eu não pedi para ninguém me sustentar, eu não pedi por doença nenhuma. Estão me matando para eu não morrer!” Doenças psicológicas podem matar. A baixa imunidade me inclui no grupo de risco, tudo pelo isolamento social na fase onde crianças e jovens precisavam mais é se contaminar para criar anticorpos! E isso me deixa bem na mira do Covid-19, que passou raspando... hoje não Coronão!

Ninguém me liberou oficialmente do isolamento. Fui escapando aos poucos. Vencendo pelo cansaço. É possível que eu tenha feito algumas coisas erradas neste período, para burlar o estado das coisas, contra o tempo determinado por Deus, que acreditava – na minha insensatez – estar demorando demais. Apesar disso, foi um momento muito feliz da minha vida, que aproximou o Senhor Jesus de mim, visto que eu jamais faria o movimento contrário. Mesmo na minha teimosia, o Senhor me consolava: E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. 2 Coríntios 12:9. Todas as obras das minhas mãos foram frustradas até que Deus quis fazer acontecer, e o mais belo é que tudo começou com uma visita inesperada de um amigo de infância (de antes de tudo). Nunca que eu pensei em receber aquela visita, naquele dia, naquelas condições. Mas ela veio, ali foi o sinal para eu agarrar a oportunidade que ele trazia, e era o último dia possível para eu aderir ao que ele me anunciava...

Tendo ainda mais forte que naquela época a confiança no nosso intercessor direto -
 o Senhor Jesus - junto ao Pai, e sabendo da minha humilde experiência e tudo e todos que Deus moveu em meu auxílio, de boa ou má vontade fizeram exatamente o que precisava ser feito. Esse mesmo Deus não há de desamparar pessoas de um país inteiro, para não dizer nos continentes, adultos improdutivos, que em sua maioria não está nesta condição por preguiça, não por crerem que é obrigação do Estado ou dos empresários o seu sustento. Mas por força das circunstâncias e obediência às determinações das autoridades. Certamente esses dias estão trazendo uma infinidade de aprendizado.
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; João 1:12
Todos aqueles que crêem no Senhor Jesus, na boa nova do evangelho, são feitos filhos de Deus! Se nosso pai terreno, por pior que seja, não nos deixa morrer à míngua (salvo exceções), quantas bençãos o Pai do Céu não guarda para nós? Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem? Lucas 11:13. Numa geração que desaprendeu a obediência e a paciência, é possível que esta quarentena esteja servindo para baixar a bola de muitas almas mal-acostumadas a terem tudo na hora. Porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem. Provérbios 3:12.

Tenham calma! Aflições fazem parte. É possível que muitos já estejam contaminados sem nem saber, pois estão assintomáticos, outros vão conseguir fugir da contaminação por muito tempo, e muitos que poderão ser contaminados! Há países em estado avançado no desenvolvimento da vacina, já existem medicamentos sendo aplicados com sucesso mesmo aos casos graves. Calma! O que tiver que acontecer vai ocorrer com quarentena horizontal, vertical ou sem quarentena. Se você não crê na boa notícia a que a Bíblia dá testemunho, creio que o Coronavírus é o menor dos seus problemas, e não pelo vírus ser microscópico, que em seu maior potencial letal só pode fazer mal ao seu corpo. E a tua alma?

Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal. Mateus 6:34

quarta-feira, 1 de abril de 2020

O isolamento do leproso


Escrevi no post anterior, que durante o período em que estive sob suspeita de Coronavírus no hospital pude ter uma noção do que sentia um leproso nos tempos do Antigo Testamento. Foi um exagero da minha parte, para ilustrar a ideia do perigo de contágio iminente da doença que eu podia estar carregando em mim e o isolamento forçado. É interessante notar que, segundo a Bíblia, o isolamento era requerido do leproso, já devida e cuidadosamente avaliado pelo sacerdote como tal, para que não contaminasse o resto da congregação de Israel. Não era a congregação quem tinha que se isolar. 


Hoje lembrei de um livro muito precioso que li, contendo reflexões do livro de Levítico sobre o leproso. Achei que valia a pena compartilhar:

A Lei do Leproso

Duas coisas requeriam a solicitude e vigilância do sacerdote, a saber: a pureza da congregação e a graça que não podia admitir a exclusão de qualquer membro, salvo por motivos claramente determinados. A santidade não podia permitir que continuasse dentro da assembleia qualquer pessoa que devesse ser excluída; e, por outra parte, a graça não podia permitir que estivesse fora quem devia estar dentro dela. Por isso, o sacerdote tinha a mais instante necessidade de ser vigilante, calmo, sensato, paciente, terno e muito experiente. Certos sintomas podiam parecer de pouca importância, quando, na realidade, eram muito graves; outros podiam parecer Lepra, sem o ser. Era preciso a maior atenção e sangue-frio. Um juízo precipitado ou uma conclusão demasiado apressada podiam conduzir a sérias consequências, quer para a congregação quer para qualquer dos seus membros.

Isto explica a repetição frequente de frases como estas: "O sacerdote examinará" — "O sacerdote encerrará o que tem a praga por sete dias" — "O sacerdote ao sétimo dia o examinará" — "O sacerdote o encerrará segunda vez por sete dias" — "O sacerdote «ao sétimo dia, o examinará outra vez" — "E o sacerdote o examinará" — "Então o sacerdote o declarará por limpo". Nenhum caso devia ser julgado ou decidido precipitadamente. Não se devia formar uma opinião por ouvir dizer. O exame pessoal, discernimento sacerdotal, tranquila reflexão, estrita adesão à Palavra escrita — o guia santo e infalível —, todas estas coisas eram formalmente requeridas do sacerdote, se queria fazer um juízo reto de cada caso. Em todas as coisas ele não devia deixar-se guiar pelos seus próprios pensamentos, sentimentos ou sabedoria. A Palavra de Deus continha instruções minuciosas, estabelecidas para se submeter a elas. Cada pormenor, cada característica, cada movimento, cada variação, cada sombra e caráter, cada sintoma particular e cada afeição — tudo estava ampla e divinamente previsto; de sorte que bastava que o sacerdote conhecesse bem a Palavra de Deus e se conformasse com ela em todas as coisas para evitar erros. Já dissemos o bastante quanto ao sacerdote e suas santas responsabilidades.

A Lepra

Consideremos agora a praga da Lepra e o seu desenvolvimento numa pessoa, no vestuário ou na habitação. Considerando esta doença sob o ponto de vista físico, nada pode ser mais asqueroso; e, sendo inteiramente incurável, oferece-nos um quadro vivo e aterrador do pecado — o pecado na natureza humana —, o pecado nas nossas circunstâncias, o pecado na assembleia. Que lição para a alma no fato que uma enfermidade tão horrorosa e humilhante seja empregada como figura do mal moral, quer seja num membro da assembleia de Deus, quer nas circunstâncias de qualquer membro ou na própria assembleia.

A Lepra num Homem 


Primeiramente, quanto à Lepra num indivíduo; ou, por outras palavras, quanto à ação do mal moral ou do que poderia parecer mal em qualquer membro da assembleia. Isto é um assunto grave e de séria importância — um assunto que requer a máxima vigilância e solicitude por parte dos que desejam o bem das almas e a glória de Deus, relacionada com o bem-estar e a pureza da Assembleia como corpo e de cada membro em particular.

Convém observar que, embora os princípios gerais da Lepra e a sua purificação se apliquem, em sentido secundário, a todo o pecador; todavia, nas passagens da Escritura, que estamos analisando, o assunto é apresentado em relação com aqueles que eram reconhecidos como povo de Deus. A pessoa que aqui vemos sujeitar-se ao exame do sacerdote é um membro da assembleia de Deus. É conveniente compreender isto. A assembleia de Deus deve manter-se pura porque é Sua habitação. Nenhum leproso podia ser autorizado a permanecer no recinto sagrado de habitação do Senhor.

A Responsabilidade do Sacerdote

Mas observe-se o cuidado, a vigilância, a perfeita paciência recomendada ao sacerdote para evitar que se considerasse como Lepra o que não o era ou que aquilo que na realidade era Lepra pudesse escapar à sua atenção. Muitas afecções podiam aparecer "na pele" — o lugar para manifestações da Lepra — "semelhantes à praga da Lepra", as quais, depois de uma paciente investigação do sacerdote, se verificava serem apenas superficiais. Isto requeria muita atenção. Qualquer mancha podia aparecer na superfície da pele, a qual, ainda que requeresse ser examinada por aquele que atuava por Deus, não era, na realidade, mancha. E, contudo, o que parecia ser apenas uma mancha superficial podia ser alguma coisa mais profunda do que a pele, alguma coisa interna, que afetasse os elementos ocultos do organismo. Tudo isto requeria a maior atenção por parte do sacerdote (veja-se os versículos 2-11). Uma simples negligência, um ligeiro descuido, podiam ter graves consequências. Podiam ocasionar a contaminação da assembleia devido à presença da pessoa declarada leprosa ou a expulsão, por qualquer mancha apenas superficial, de um verdadeiro membro do Israel de Deus.

Ora, em tudo isto há um fundamento precioso de instrução para o povo de Deus. Existe uma diferença entre a enfermidade pessoal e a energia positiva do mal — entre meros defeitos e imperfeições da consulta e a atividade do pecado nos membros. Sem dúvida, importa velar sobre as nossas fraquezas; pois se não vigiarmos, se não as julgarmos e não nos guardarmos delas podem tornar-se na fonte de um mal positivo (veja-se versículos 14 a 28). Tudo que procede da nossa natureza deve ser julgado e mortificado. Não devemos ser indulgentes para com as fraquezas pessoais em nós próprios, ainda que devamos ser indulgentes para com as dos nossos semelhantes. Tomemos por exemplo o caso de um temperamento irascível. É um caso que devemos condenar em nós próprios, embora devamos tolerá-lo nos nossos semelhantes. A semelhança da "inchação do apostema", no caso de um israelita (versículos 19-20), pode chegar a ser causa de verdadeiro contágio — motivo para exclusão da assembleia. Toda a forma de fraqueza deve ser vigiada, não seja o caso de se tornar ocasião de pecado.

Uma "cabeça calva" não era Lepra, mas era onde a Lepra podia declarar-se, e, por isso, tinha de ser vigiada. Há mil e uma coisas que, em si mesmas, não são pecaminosas, mas que podem chegar a ser ocasião de pecado se não se exercer sobre elas vigilância. E não se trata somente do que, no nosso parecer, pode ser designado por defeitos ou fraquezas pessoais, mas até de coisas em que os nossos corações estão dispostos a gloriar-se. A agudez do gênio, o bom humor e a vivacidade de espírito, podem chegar a ser fonte e centro de contaminação. Cada pessoa tem uma ou outra tendência de que deve guardar-se — alguma coisa que o obriga a estar sempre em guarda. Quão ditosos somos nós, pois temos um Pai carinhoso a quem podemos expor todas estas coisas! Confiados no amor indulgente e infatigável, temos o precioso privilégio de poder entrar sempre na Sua presença para Lhe contar tudo que pesa sobre o coração e obter graça para sermos ajudados em todas as nossas necessidades e obter vitória sobre todo o mal. Não há motivos para desanimar enquanto vemos sobre a porta da tesouraria de nosso Pai esta inscrição: "Ele dá maior graça". Preciosa inscrição! O seu valor não tem limites: é incalculável, é infinito

A Praga da Lepra 


Vejamos agora como se procedia em cada caso em que a praga da Lepra era indiscutível e claramente determinada. O Deus de Israel podia tolerar as enfermidades e os defeitos, mas a partir do momento em que a enfermidade se tornava um caso de corrupção, ou fosse na cabeça, na barba, na testa ou em qualquer outra parte do corpo, não podia ser tolerada na santa congregação. "Também as vestes do leproso, em quem está a praga, serão rasgados, e a sua cabeça será descoberta, e cobrirá o beiço superior e clamará: Imundo, imundo! Todos os dias em que a praga estiver nele, será imundo; imundo está, habitará só; a sua habitação será fora do arraial" (versículos 45 - 46). Descreve-se aqui a condição, ocupação e o lugar do leproso. Os vestidos rasgados, a cabeça descoberta, o lábio superior coberto e gritando: Imundo, imundo! E tendo de morar fora do arraial na solidão do deserto vasto e terrível! Que podia haver de mais humilhante e deprimente do que isto? "Habitará só" Era impróprio estar em comunhão ou ter a companhia do seu povo. Era excluído do único lugar, em todo o mundo, onde se conhecia e gozava a presença do Senhor.

Prezado leitor, contemple neste pobre e solitário leproso o tipo expressivo da pessoa em quem o pecado opera. É este realmente o seu significado. Não é, como veremos imediatamente, um pecador perdido, arruinado, culpado e convicto, cuja culpa e miséria são manifestos, e, portanto, objetivo próprio para o amor de Deus e o sangue de Cristo. Não; no leproso excluído vemos uma pessoa em que o pecado está atuando — uma pessoa em quem está a energia do mal. É isto que mancha, exclui e priva do gozo da presença divina e da comunhão dos santos. Enquanto o pecado operar não pode haver comunhão com Deus ou com o Seu povo. "Habitará só; a sua habitação será fora do arraial". Até quando? "Todos os dias em que a praga estiver nele". Há aqui uma grande verdade prática. A atividade do mal é o golpe de morte da comunhão. Pode haver aparências exteriores, puro formalismo, fria profissão, mas não pode haver nenhuma comunhão enquanto o mal continuar a atuar. Não importa qual seja o caráter do mal ou a sua importância, ainda que seja insignificante ou apenas um mau pensamento, enquanto continuar a atuar impedirá ou causará a suspensão da comunhão. E quando se forma a empola, quando surge à superfície, quando se descobre inteiramente, que pode combater-se e tirá-lo pela graça de Deus e pelo sangue do Cordeiro.

Completamente Coberto de Lepra

Isto leva-nos a um ponto muito interessante em relação com o leproso — um ponto que parecerá um paradoxo para todos os que não compreendem a maneira como Deus opera para com os pecadores. "E, se a Lepra florescer de todo na pele e a Lepra cobrir toda a pele do que tem a praga, desde a sua cabeça até aos seus pés, quanto podem ver os olhos do sacerdote, então, o sacerdote examinará, e eis que, se a Lepra tem coberto toda a sua carne, então, declarará limpo o que tem a mancha: todo se tornou branco; limpo está" (capítulo 13:12 - 13). Desde o momento em que o pecador ocupa o seu verdadeiro lugar perante Deus, todo o problema do seu pecado é resolvido. Desde que manifeste o seu verdadeiro caráter, desaparecem todas as dificuldades.

Talvez tenha de passar por experiências difíceis antes de chegar a este ponto — experiências resultantes de se recusar a ocupar o seu verdadeiro lugar, ou seja, confessar "toda a verdade" sobre a sua pessoa. Porém desde o momento em que ele se decide a dizer, de todo o seu coração, "tal como sou" a graça de Deus se derrama sobre ele. "Enquanto eu me calei, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio"(Sl 32:3-4). Quanto tempo durou esta penosa experiência? Até que toda a verdade se descobriu. "Confessei-te o meu pecado e a minha maldade não encobri; dizia eu: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado" (versículo 5).

É interessantíssimo reparar na maneira como Deus trata progressivamente com o leproso, desde o momento em que os primeiros sintomas fazem surgir a suspeita de enfermidade até que esta se estende a todo o corpo, "desde o alto da cabeça à planta do pé". Não havia pressa nem indiferença. Deus entra sempre no lugar do julgamento com passo lento e bem calculado; mas depois de haver entrado tem de agir segundo os direitos da Sua natureza. Pode examinar com paciência; pode esperar "sete dias"; e se há a mínima mudança nos sintomas pode esperar outros "sete dias"; mas desde o momento em que se verifica positivamente a ação da Lepra, não pode haver mais tolerância. "Fora do arraial será a sua habitação". Até quando? Até que a enfermidade se haja manifestado inteiramente à superfície. "Se a Lepra tem coberto toda a sua carne, então será declarado limpo". É um ponto precioso e muito interessante. A menor mancha de Lepra era intolerável aos olhos de Deus; e, contudo, quando o homem estava completamente atacado por ela, desde a cabeça aos pés, então, era declarado limpo — quer dizer, era assunto apropriado para a graça de Deus e o sangue da expiação.

Da Perdição à Glória

Aqui termina o relato das disposições do Senhor sobre o leproso; e oh, que maravilhoso relato! Que exposição da hediondez do pecado, da graça e santidade de Deus, da preciosidade da Pessoa de Cristo e a eficácia da Sua obra! Nada pode ser mais interessante do que observar os rasgos da graça divina saindo do recinto sagrado do santuário para ir ao lugar imundo, onde, de cabeça descoberta, embuçado e com as vestes rasgadas, se encontrava o leproso. Deus procurava o leproso onde ele estava; mas não o deixava ali.

Manifestava-se pronto a cumprir uma obra em virtude da qual podia conduzir o leproso a um lugar mais elevado e a uma comunhão mais íntima do que ele jamais havia conhecido. Em virtude desta obra, o leproso era conduzido do seu lugar de imundície e solidão para a própria porta do tabernáculo da congregação, o lugar dos sacerdotes, para ali gozar dos privilégios sacerdotais (compare-se Êxodo 29:20, 21, 32). Como poderia elevar-se a tal posição? Por si mesmo era impossível. Por muito que pudesse fazer, teria definhado e morrido na sua Lepra, se a graça soberana do Deus de Israel não tivesse descido sobre ele para o elevar do lugar imundo até o colocar entre os príncipes do Seu povo.

Se alguma vez existiu um caso em que a questão dos esforços humanos, dos méritos humanos e da justiça humana, pôde ser plenamente provada e arrumada para sempre, é incontestavelmente o caso do leproso. Seria uma lamentável perda de tempo discutir tal questão em presença de um caso semelhante. Deve ser evidente, até mesmo para o leitor mais superficial, que nada senão a graça divina, reinando pela justiça, podia ir ao encontro das condições e necessidades do leproso. E de que maneira gloriosa e triunfante opera a graça de Deus! Desce às maiores profundidades a fim de elevar o leproso às maiores alturas. Vede o que o leproso perdeu e o que ganhou! Perdeu tudo o que pertencia à natureza e ganhou o sangue da expiação e a graça do Espírito — simbolicamente falando. Em boa verdade, os seus ganhos eram incalculáveis. Se nunca tivesse sido posto fora do arraial, nunca teria alcançado tão infinita riqueza. Tal é a graça de Deus! Tal é o poder e o valor, a virtude e a eficácia do sangue do Senhor Jesus!

Como tudo isto nos recorda forçosamente o filho pródigo, em Lucas 15! Nele a Lepra havia também alastrado e surgido à superfície. Havia estado longe num lugar imundo, onde os seus próprios pecados e o intenso egoísmo dos habitantes da terra longínqua tinham criado uma situação de solidão em redor de si. Mas, bendito seja para sempre o profundo e terno amor do Pai, sabemos como tudo acabou: o pródigo encontrou uma nova posição mais elevada e entrou numa comunhão mais íntima do que antes conhecera. Nunca antes se tinha morto um "bezerro cevado" para ele. Nunca se lhe havia vestido "o melhor vestido". E a que devia tal distinção? Seria devido aos méritos do pródigo? Oh, não; era simplesmente devido ao amor do Pai.

Prezado leitor, permita que lhe faça esta pergunta: pode debruçar-se sobre o relato do procedimento de Deus para com o leproso, em Levítico 14, ou da conduta do Pai para com o pródigo, em Lucas 15, sem sentir intensamente o amor que existe em Deus? Esse amor que se manifesta na Pessoa e obra de Cristo, que é relatado nas Escrituras Sagradas e derramado sobre o coração do crente pelo Espírito Santo? Que o Senhor nos dê uma comunhão mais íntima e constante consigo mesmo! 


Autor: C. H. Mackintosh, extraído dos estudos sobre o livro de Levítico, 1978, 2ª edição.

terça-feira, 31 de março de 2020

Não tenhais medo


E, aproximando-se Jesus, tocou-lhes e disse: Levantai-vos, e não tenhais medo. Mateus 17:7

Depois de três semanas tossindo, eis que fui passar alguns dias da minha quarentena internada num hospital. Lá fiz o tão temido teste Covid-19, que é feito coletando secreção do nariz e garganta. Também testaram o Influenza A (aquele outro vírus bem mais danadinho!) e B. Negativo para todos!

O teste do Coronavírus demorou 48hs para sair o resultado. Até o teste sair, tive uma ideia do que seria um leproso nos dias do Velho Testamento! A equipe de limpeza e que servia a refeição, particularmente, mesmo trabalhando em hospital com infectados por tudo quanto é vírus e bactérias, eram os mais assustados e em pânico. Mal me olhavam, e mesmo entrando encapuzados com máscara, touca, luva, avental – que deveriam deixar na lixeira do quarto antes de sair – eles sentiam medo. Curioso.

Eu não tive medo de testar positivo. Apavorados estavam muitos ao meu redor e, por causa deles dou graças a Deus pelo resultado negativo. Olha a loucura: prefiro continuar doente e me tratando da Pneumonia que estar com Coronavírus, cujo um dos sintomas para os casos que complica é exatamente Pneumonia! Ou seja, ficaria elas por elas. Ah, mas o vírus é mais letal, dizem. Há controvérsias, mas não sou médica nem youtuber sabichão, então não vou opinar. O fato é que pessoas estão se curando do vírus, e isto é o que importa.

Escrevi no post anterior que este isolamento social está mais fácil por causa da internet. Começo a reconsiderar minha opinião... Particularmente as redes sociais estão tão nocivas quanto a TV. Possivelmente aquela equipe do hospital assistiu muita TV ou ficou muito no Facebook. Nesses ambientes virtuais reina o medo, a raiva, a ira, a histeria, o pânico. O que não ajuda, e ainda atrapalha.

Estresse e raiva baixam a imunidade. Li um dia que pela neurolinguística tosse significa raiva contida na garganta sem poder confessar, por sentir que sua opinião não tem valor; é um sintoma psicossomático. A pneumonia é puro desespero, já é o fim da linha para quem carrega a tosse (raiva e sentimento de inutilidade) por muito tempo. Esse blog fala de fé e não de ciência, não vou entrar no mérito sobre a veracidade das definições, digo apenas que coincidem com a realidade da minha experiência. Dito isto, é preocupante o cenário de tanta fúria nas redes sociais, e tantas desavenças na TV, enfraquecendo a imunidade das pessoas, diante de um vírus que ataca exatamente as funções prejudicadas pelo ambiente. E isto no mundo todo!

Por outro lado, estou certa de que a medida de todos os acontecimentos está nas mãos de Deus. Jó não leu os primeiros capítulos do livro que narra sua vida, onde o Diabo contendia com Deus para o derrubar. Nós também não vemos os bastidores. Quem está em derredor querendo dizimar nações (de fato?) com um vírus? ou quem está movendo pessoas, para, aproveitando-se do vírus, aumentar a fome, o desemprego, e tantas outras coisas ruins que podem ser causadas pelo isolamento forçado e proibição de liberdades individuais?

Sujeitar-se às autoridades é dever. Se o presidente disser A, faça A, mas se o Governador do seu estado disser B, faça B, e se o Prefeito do seu município disser C, siga, e por aí vai. Simples assim! eles podem se contradizer, e nós temos que obedecer desde que não contrarie a Palavra de Deus. Concordar com as medidas, são outros quinhentos!

Eu aprendi a conviver com a ameaça de morte iminente no primeiro passo que eu desse na rua. Meu isolamento passado (que também citei no post anterior) foi forçado exatamente por esta premissa: se ela sair na rua sozinha, vai ter uma crise e vai morrer atropelada, ou cair e bater a cabeça e morrer. Trágico não? Meu argumento, vão, era o clichê: para morrer basta estar vivo, cair e bater a cabeça pode acontecer em casa. E existe uma infinidade de causa mortis possíveis dentro de casa, inclusive pneumonias, ataque do coração, AVC, queda, suicídio etc. Acrescenta aí o Coronavírus, que pode pegar uma carona na moto do rapaz do IFood e chegar até nós em casa. Continuo confiando em Deus, que me fez sair do isolamento anterior, tomando todo o cuidado possível.

Ninguém precisa sair por aí, valentão, sem tomar as medidas sanitárias cabíveis e dizendo que “praga nenhuma chegará a tua tenta”. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus. Lucas 4:12. Siga as orientações, os cuidados necessários, fique alerta, vírus e bactérias são velhos conhecidos, esse aí é só um que em breve vai ser só mais uma causa de doença dentre tantas. Para quem está proibido de sair de casa, as recomendações são a mesma. Acrescentaria apenas, algo que optei por fazer: reduzir visita às redes sociais, passar longe da TV ou Rádio, particularmente quando o assunto for Coronavírus, e voltar-se para o Senhor Jesus, e toda a riqueza da sua Palavra! Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; Colossenses 3:2. Se você não é cristão, e acha impraticável o último conselho, aproveite o ócio e pense: se o Covid-19 dizimar toda a humanidade, para onde iria a sua alma? A alma é imortal, o destino eterno é que muda. Já pensou sobre isso?

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16

segunda-feira, 23 de março de 2020

Quarentena


Estou aqui em casa, em quarentena imposta, como muitos pelo mundo afora. Em toda minha vida, nunca testemunhei um isolamento coletivo envolvendo países de vários continentes. E olha que há não muito tempo, ali em 2009, tivemos o surto do vírus Influenza H1N1, bem semelhante ao Coronavírus, embora, aparentemente mais letal que o atual Covid-19. Estou na prática no 4º dia de afastamento social, inclusive do trabalho, por doença respiratória pré-existente, que me torna vulnerável ao tal do Coronavírus.

Esse período e os hábitos diários relacionados ao isolamento é muito familiar. Como já escrevi outras vezes aqui, na adolescência tive Epilepsia, e isso por vários motivos e decisões alheias à minha vontade, me fez ficar longos oito anos da vida em afastamento social. Numa época em que não tinha acesso à internet, nem redes sociais. Eu não era proibida por um governo de sair de casa, mas por várias outras pessoas, e até pela minha própria cabeça, que mal conseguia atravessar a rua correndo para sentir a sensação. Foi uma fase difícil.

Hoje é muito mais fácil. Dá para ficar em casa e conversar com o colega que está em outra casa, outra cidade, outro país. Dá para fazer uma compra na Internet, dá para se entreter com a internet, perceber que a TV está forçando um pouco a barra com as informações passadas... e dá para ficar em casa, de boa, escrevendo, como fiz a maior parte do meu isolamento passado. Hábito adquirido e nunca abandonado!

Escrevi aqui num post chamado Eu perdi o mundo para ganhar vida, que Deus me tirou do mundo naquele período. Teu poder foi me aperfeiçoando na minha fraqueza, na minha solidão, minha tristeza e desespero cada vez que eu ficava olhando as pessoas na rua, esperando passar um rosto conhecido! Ali quando nenhuma ação minha alcançava qualquer resultado, Deus me ensinou que confiar o controle de nossas vidas à Ele, é a melhor das escolhas!

Ele está no controle! Deus disse a Jó: “Quem primeiro me deu, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu.” Jó 41:11. Jó passou por fortes aflições, econômicas, familiares e físicas e absolutamente nada saiu do controle de Deus ou ficou sem justa retribuição. Assim como eu, apesar de sentir ainda hoje os efeitos negativos daquele isolamento: baixa imunidade (sim o isolamento abaixa a imunidade ao invés de fortalecer, o que gera força é justamente o contato com vírus e bactérias por meio de contato social e vacinas); falta de malícia em muitas circunstâncias, dificuldade de comunicação verbal, tudo isso é pouca coisa diante do grande benefício que tive pelo contato com a Palavra de Deus nessa fase da minha vida.

Já disse, poderia ter sido diferente? Sim. Mas Deus permitiu que assim fosse. Hoje fico muito mais tranquila nesse novo isolamento, porque mais pessoas estão engajadas involuntariamente na quarentena, e percebo em ambientes próximos pessoas levadas à Bíblia pelo medo, pela insegurança, pelo sentimento de incapacidade. E a palavra de Deus é poderosa para converter muitas almas, das mais insubmissas possíveis. Eu mesmo, me converti ouvindo a pregação de um padre católico. Porque não importa o pregador, importa a palavra proferida!"E Jesus lhe disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós". Lucas 9:50. Imagine os efeitos disto em escala mundial?

Nas redes sociais vejo críticas as pessoas que recorrem a Deus ou a Bíblia neste momento de apreensão e medo. Não vejo problema nenhum! Antes chegar a Deus por medo e receber a salvação, que usar toda sua coragem humana e rebeldia para receber a perdição eterna, sem nem precisar contrair o Coronavírus! Muitas vidas estão sendo ceifadas pelo novo vírus somados às doenças pré-existentes, sim. Mas quantas delas são vidas já preciosas e salvas por Deus? Não devemos ter mais medo daquilo que mata o corpo que aquilo que mata a alma: "E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo". Mateus 10:28

Oremos por todos os governantes, federais, estaduais, municipais, dirigentes internacionais e monarcas. Aqueles que estiverem tomando decisões acertadas serão recompensados, aqueles que estão com má-fé também. Nenhuma das decisões está fora do controle de Deus, e de Nosso Senhor Jesus. Não há motivos para pânico. Tenhamos cuidado, higiene, obediência as autoridades. E guardemos a esperança que tudo vai acabar bem.

Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens;
Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade;

Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador,

Que quer que todos os homens sejam salvos, e venham ao conhecimento da verdade.

Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.  1 Timóteo 2:1-5

Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. João 16:33

E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:2