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sábado, 6 de setembro de 2014

Condutores Cegos




Era domingo, estava indo de táxi a uma festa de casamento. O motorista contava sua história miraculosa, para gato nenhum botar defeito. O homem parecia ter mais de sete vidas. Mas o que me chamou atenção foi outro fato, uma família que atravessava a rua. Era um casal de cegos e seus dois filhos! O motorista já os tinha visto antes, e a pessoa ao meu lado no táxi também já tinha ouvido falar deles.

O rapaz cego, em um dos braços carregava um menino de uns dois anos talvez, e na outra mão segurava sua bengala; a moça puxava uma menina de uns três ou quatro anos por uma das mãos e na outra mão segurava a bengala também. E assim todos atravessavam a rua, enquanto nosso táxi aguardava.

Um cego guiando outro cego. Nosso Senhor Jesus quando falava dos cegos, ou chamava pessoas de cegas, não se referia aos cegos por natureza, cegos dos olhos físicos. Ao contrário lemos muitos cegos indo ao Senhor, clamando por misericórdia e cura, ao passo que aqueles que enxergavam, não viam o Senhor, e buscavam razões para duvidar.  

E aqueles dos fariseus, que estavam com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: Também nós somos cegos?
Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece. João 9:40-41

Aquele casal não estava conduzindo a si mesmo. Creio que Deus os conduzia. Bem como seus dois filhos que enxergam, e espero que também saibam ver, apreciar as maravilhas que Deus realiza na vida de seus pais, e que está disponível para todo mundo.

Fiquei curiosa para conhecê-los, quem sabe um dia. Agradeço a Deus por ter meus cinco sentidos saudáveis, alguns mais aguçados que outros, naturalmente. Tenho saúde, as doenças que me prejudicavam também já não as tenho mais. No entanto, nada disso me garante um bom caminho neste mundo, não me dá segurança, tranquilidade, não é minha saúde ou dinheiro que me sustenta. Acima de tudo, Deus me dá vida, vida em Cristo, e isso faz com que sigamos em frente com ou sem meios externos que nos facilite a vida.

Em Mateus 10, o cego pediu vista a Jesus, mas ele disse: A TUA FÉ TE SALVOU. Depois de salvo pela fé em Cristo Jesus, então ele viu.

E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista.
E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho. Mateus 10:51-52

No Evangelho de Lucas a descrição do episódio segue dizendo: “E logo viu, e seguia-o, glorificando a Deus. E todo o povo, vendo isto, dava louvores a Deus” (Lucas 18:43). O cego glorificava a Deus, e aqueles que testemunhavam davam louvores a Deus. Foi o que fiz quando vi aquela família linda atravessando a rua, desafiando as convenções, as dificuldades e a incredulidade. Louvado seja Deus!

Todos nós somos cegos de nascença. Mesmo nós que enxergamos. Precisamos crer que alguém possa nos fazer enxergar. Crer apenas, depois podemos buscar o entendimento, e com certeza não nos será negado. Esse alguém é o Senhor Jesus, que morreu na cruz para levar nossos pecados que nos traz enfermidades, confusão, ruína e corrupção.

Vou terminar este post com o testemunho de outro cego que foi salvo pelo Senhor que nada sabia sobre quem o fizera enxergar e respondeu prontamente a razão de sua fé:

Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve.
Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença.
Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer.
Responderam eles, e disseram-lhe: Tu és nascido todo em pecados, e nos ensinas a nós? E expulsaram-no
”  João 9:31-34.

Depois o Senhor se revelou:

Jesus ouviu que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: Crês tu no Filho de Deus?
Ele respondeu, e disse: Quem é ele, Senhor, para que nele creia?
E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo.
Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou
João 9:35-38.



terça-feira, 8 de julho de 2014

Cegueira






Tenho um gato cego chamado Pirulito. Ele nasceu enxergando, mas aos poucos foi perdendo a visão. Certo dia estava em meu quintal, sentada, meditando nas coisas da vida, e comecei a observá-lo.

Pirulito caminhava para lá e para cá, subia muro, descia muro... Certo momento ele parou para tomar um banho de sol, foi quando me deu vontade de fotografá-lo. Achei engraçado como um animal cego é muito mais autossufiente que os humanos.

Os homens cegos dependem de bengalas, um cão-guia, de outros homens para conseguir caminhar, quiçá subir escadas ou muros. Os mecanismos de sobrevivência dos animais são mais fortes, e eles sequer têm consciência disto! Os homens por sua vez possuem consciência da complexidade de seu intelecto, e muitas vezes se deixam privar por questões da carne.

Nós homens nascemos cegos, incrédulos, alguns viram religiosos, outros ateus, outros não consideram nem uma hipótese nem outra, seu ídolo é o mundo; aí vive feito o Pirulito, que dentro de casa esbarra na minha perna, no pé da mesa... demora a achar a porta, mas quando acha e sai, no quintal ele se liberta, fora existem menos empecilhos artificiais que os homens colocaram em seu caminho.

Os homens são campeões em lançar pedras de tropeços diante dos outros. Nós na incredulidade somos condutores cegos tentando guiar outro, só que o fim é o abismo (Mateus 15:14). Mas aprendi, bem como o Pirulito, que fora do arraial está algo precioso: Jesus “para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta”. “Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério”.



Dentro de casa (arraial) Pirulito é efetivamente um cego, deslocado, humilhado por outros gatos ditos saudáveis, tadinho ele apanha até da gatinha mais nova (neófita)! Fora ele se renova, tem pleno controle de suas habilidades motoras, e anda calma e silenciosamente como tendo controle de si. Não mia por comida, sabe que sempre a recebe, não fica curioso para saber o que tem de bom na casa (arraial) do vizinho, o máximo que faz é subir no muro alto e sentir o movimento, a brisa!

Pirulito não espera nada deste mundo, e tudo que ele precisa ele recebe, tem um cesto para dormir, comida na hora certa, e a hostilidade dos demais faz parte. Não é uma perfeita figura de um cristão? Incrédulos somos cegos, sem esperança. Crentes possuímos vida do alto, e vemos em parte. Dentro do arraial, na confusão atual, no entanto, acabamos por agir como se ainda fossemos cegos, esbarramos em redor em todo vento de doutrina estranha. Mas nada como sair disso tudo e sentir a paz que o mundo não dá, a paz deixada por Cristo Jesus, prometida antes de seu sacrifício quando anunciou que iria voltar vitorioso.

Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura. Pirulito é o mais desprezado dos gatos, não chega nem na sala de estar, não sobe no sofá, mas isso não importa para ele. Para nós Cristãos, que valorizamos sobremaneira o nome do Senhor Jesus Cristo as vantagens do mundo, ainda aquelas que possuem rótulos cristãos, se não estão de acordo com a Palavra de Deus, a Bíblia, não possui valor nenhum.

To fora!


Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça, e não com alimentos que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram.
Temos um altar, de que não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo.
Porque os corpos dos animais, cujo sangue é, pelo pecado, trazido pelo sumo sacerdote para o santuário, são queimados fora do arraial.
E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta.
Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério.
Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura.
Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome.
E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus se agrada.


Hebreus 13:9-16