segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Transformar o Amor: Não é tão difícil


Quando eu guardei silêncio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia. Salmos 32:3

Ouvimos ao longo da vida muitas frases motivacionais ensinando a transformar a dor. Usar as pedras do caminho como degraus para subir na vida. Os grandes exemplos de superação são com frequência de pessoas que sofreram alguma perda, alguma privação. Quando o herói da história ama de forma errada ele acaba tendo que passar por dores para encontrar valor para sua história, mas assim incorre em outros erros, sem chegar no final esperado.

A música popular exalta pessoas que amam errado, a cobiça dos olhos. É uma forma de minimizar o peso que é entrar de gaiato numa história que não lhe diz respeito. Não é o melhor caminho. Estive refletindo o que faz essas músicas se tornarem popular, o que atrai tanto público para essas histórias? Percebi também que todas elas, como obras feitas do ponto de vista do mundo, elas sempre induzem ou sugerem que a batalha pelo erro pode ser vencida.

Não se luta pelo impossível. Amar errado e atrair outra pessoa para o erro não vai tornar nada certo. “Andai em espírito e não cumprirei as luxúrias da carne”, diz a Bíblia. Deus não nos deixou à deriva, estamos repletos de avisos dos perigos da condição humana, dos perigos da proximidade dos sexos opostos, do perigo da exposição à estímulos que excitam os apetites do corpo. Não sejamos inocentes demais.

O que pouco se fala, porém, é como transformar amor. Para a pessoa que ama errado sobra o julgamento, se condenar pelas escolhas erradas, se torturar pelo que não pode viver. Ou a permissividade, o incentivo irrestrito à liberdade, o “ninguém é de ninguém”. “Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne” Gálatas 5:13.

Aí cabe uma pergunta: O cristão está imune a esse tipo de sentimento? De forma alguma. Levaremos nossa carne até que o Senhor Jesus volte e a transforme. E podemos sim perder uma luta ou outra na sujeição ao espírito. Só que acredito que a solução não é a autotortura. É óbvio que se sua fé for genuína, isso vai ferir profundamente sua alma, seus valores e princípios. Vai entristecer o Espírito Santo que habita em ti. Por isso lutar pelo erro 
nunca deverá ser uma escolha. Mas se machucar também não.

Coisa ruim volta, mas coisas boas também. Como diz o salmo do início deste post: o silêncio é o problema. É preciso coragem para primeiro identificar o que é o sentimento. É real? é pura atração física? Ou é amor? Se for ilusão é mais simples se libertar. Se for só atração parar de se expor ao que te afeta ajuda. Mas se for amor, transforme-o. Quebre o silêncio. Mas não quebre o silêncio para os outros. Talvez nem o objeto do seu amor, ou principalmente ele, não precise ficar sabendo. Pelo menos até que tudo esteja resolvido. Confesse à Deus. Deus sempre estará disposto a ouvi-lo derramar seu coração contrito.

Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.
Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.

1 João 1:8,9

O amor é sofredor. O amor não busca seus próprios interesses. O amor não se porta com indecência. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Não é incrível que Deus tenha deixado conselhos tão práticos sobre o amor verdadeiro? Confesse os seus erros e tire os seus interesses de perspectiva. Não busque conselhos no mundo, eles sempre vão te guiar para o abismo. Transforme o seu amor. Jogue toda a energia catalisadora e criadora de uma amor genuíno naquilo que é bom. Transforme o amor em dedicação, arte, trabalho voluntário, amizade.

O amor em si nunca será um problema, o que você faz com ele é que pode ser. A cobiça dos olhos é ruim. Não a alimente. Se você se perdeu pelo caminho, volte, recomece. Mas não siga pela estrada errada. Esqueça a ideia de que o amor sempre precisa de um final feliz, quando esse final "feliz" sai às custas da infelicidade de alguém. O amor que interessa ao cristão é o daquele que morreu na cruz para nos salvar. Qualquer outro amor podemos deixar passar.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Por Acaso, Você já Adotou um Filho?



O caso da menina de 10 anos que, estuprada, engravidou do próprio tio, dividiu opiniões sobre o aborto. 

Defensores da vida, alegavam que o bebê poderia ser entregue para adoção. E a garota acolhida para tratamento psicológico. Os pró-aborto, colocavam a vida da garota grávida acima de tudo. Ela não teria condições físicas de carregar uma gestação, e ponto final.

Mas, olhando os comentários, prós e contras, uma coisa me fez refletir.

Adoção.

Ter filhos é um sonho antigo. Desde muito jovem, esteve nos meus planos. Já quis dois. Hoje eu até teria mais, embora não saiba se meus sonhos estão de acordo com os planos de Deus.

Como conciliar o desejo de ser mãe sem ter um marido?

Para a modernidade é até simples. Fazer filho é de fato muito fácil.

Mulheres – e crianças - engravidam sem querer, quando vítimas de estupradores malignos...

Há alguns anos rompi um noivado. Frustrada, vi meu sonho de me casar e construir uma família tradicional ir para o ralo. Então, fui pesquisar adoção por solteiros.

É uma opção legítima. Mas li relatos deprimentes. Filas intermináveis de espera. Um processo lento e moroso. Cheio de estigmas. Até para casais, quanto mais para uma solteira. Percebi que não tinha nenhum preparo psicológico, apenas muito amor para dar.

Existe uma demonização por mães que buscam adoção de recém-nascidos. Ao mesmo tempo em que lutam pelo aborto desses mesmos bebês. Será que existe alguma relação entre uma coisa e outra? Será que faz parte da mesma construção social, a ideia de rejeitar quem tenha o dom de acolher bebês enjeitados, para fomentar movimentos pró-aborto?

Naquele momento eu nem tinha predileção nenhuma por adoção de bebês.

E eu nem tinha opinião formada sobre aborto.

Contei numa série de posts aqui, a história de Rebecca. Uma ativista pró-vida, ela mesma fruto de um estupro. Depois de conhecê-la eliminei a única exceção de aborto que eu admitia. Sem nenhuma reflexão, só porque a lei não considera crime nesses casos. Mas a lei é só o ponto de vista do legislador, aprovado pelos demais.

Logo percebi que precisava mais para ser uma mãe de adoção do que eu precisaria para ser uma mãe normal. Se eu fosse vítima de um estupro e ficasse viva, sem nenhuma doença venérea, mas grávida, eu reduziria todo o processo...

É uma imagem horrível, não?

Se não for pelo amor, vai pela dor. A lei não favorece o amor.

A ideia de adoção não me fugiu de todo. A de ser mãe solteira, sim. Uma criança precisa de uma família sólida que a ajude na formação do seu caráter. Que zele por ela, e a proteja da maldade humana. Inclusive de parentes próximos, ou mesmo de nossa própria índole. Claro que é melhor ter uma mãe solo, do que um pai estuprador. Ou um pai solo, que uma mãe violenta ou negligente.

Talvez se a menina grávida tivesse sido adotada ainda bebê, ela pudesse hoje estar brincando de bonecas E não parindo um bebê morto, que afinal foi o que aconteceu. Sua gestação já estava de 30 semanas. Decidiram que ela não poderia passar pelo parto de um bebê vivo, para fazê-la parir um morto. A descrição do procedimento realizado é a mais bizarra possível.

Meu primeiro impulso me leva a pensar que eu adotaria essas duas crianças. A grávida e seu bebê...

Mas falar é fácil. Nada disso é permitido. A menina legalmente tem uma mãe responsável por ela. Quem não tinha ninguém zelando por ele, era o bebê. Sua alma está nos braços de Deus. Um Deus que acolhe os pequeninos.

"Por acaso, você já adotou uma criança?"

Foi uma pergunta jogada no ar, de uma defensora do aborto. Só nesse caso, dizia ela.

Não. Nunca adotei uma criança. E nunca passei nem perto de engravidar. O que não tira de mim o desejo de ser mãe. O que brotou de novidade nesse movimento pró-aborto 
do século, é a inclinação para adotar um recém-nascido. Se existe demanda por assassinatos de bebês, existe outra demanda para acolhimento deles. Se o problema é cuidar de um filho indesejado, tem quem cuide. É só procurar.

Uma criança gestando outra criança, pode parecer um caso à parte. Há opiniões de todo tipo. E nenhum debate vai mudar o triste fim dessas duas crianças.


"E se fosse sua filha?"

Seria um sinal de que eu falhei como mãe. Atingi o máximo da negligência. Mas, matar um dos inocentes talvez não fosse uma solução.  

Foram duas vítimas, de um mesmo criminoso, que quase não entra em nenhuma discussão. Podemos falar de pena de morte para o pedófilo estuprador? Ou a vida dele é mais importante?