quarta-feira, 14 de maio de 2014

Obediência




Ao visitar uma casa de amigos, presenciei uma discussão entre duas crianças que tentavam convencer a mãe da sua inocência da seguinte forma:

– Mãe foi ele!
– Foi ela!
– Ele disse que eu podia pegar o copo, aí eu peguei. Aí o copo caiu e quebrou!
– Ela pegou por que quis!
Então a mãe interviu: – Parem de brigar se não...

O se não é o x da questão. Estamos educando nossas crianças a base de subornos, não faça isso se não não ganha doce, faça aquilo se não não vai passear, não faça isso se não não pode ter isso ou aquilo. A consequência de obedecer é sempre positiva para a criança, ao menos naquele momento. Isso desvirtua o processo de educação, pois eles crescem querendo levar vantagem em tudo.

Desde o princípio fomos desobedientes. O primeiro homem Adão, ouviu o primeiro se não da história, mas foi uma justificativa negativa:

Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gênesis 2:17)

Antes de Eva ser criada, Adão já tinha ouvido a Palavra de Ordem dada por Deus para não comer daquela árvore, senão morreria. Quando Eva foi criada, a versão que ela conhecia da ordem de Deus era: “do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais”. Eva acrescentou um ponto ao conto. Deus não disse que não podiam tocar no fruto. Essa foi a deixa dada a serpente.

“Sabe de nada inocente”. Foi o que a serpente pode ter pensado quando aproveitou para inserir diante dos olhos humanos a vantagem do erro. Disse que certamente não morreria, e seriam como deuses.

Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu” Gênesis 3:6.

Querer levar vantagem levou as primeiras criaturas a desobedecer, assim como a vantagem leva as últimas a obedecer, o que não chega a ser obediência, pois não estão respeitando a autoridade de quem ordena, mas agem por interesse na recompensa, na impossibilidade de poder pagar a promessa, serão as crianças que vão manipular os pais com a pressão emocional. Aprendem pelo exemplo.  

Ao contrário de Adão e Eva, todos nós nascemos com esse impulso ao erro, em consequência daquele evento no Éden. Então somos muito mais responsáveis por expor nossas crianças a esse tipo de educação, pois se já somos maus por natureza, eles serão piores pela criação que recebem.

A Bíblia diz que Adão não foi enganado (1 Timóteo 2:14), ele não acreditou no conto da serpente, apenas foi no embalo da mulher, depois não teve coragem de assumir seu ato, pois o germe do pecado havia sido inserido após a desobediência, tomou consciência do mal que fizera.

A mulher disse: – Foi culpa da serpente!

Adão, por sua vez: – Foi culpa da Eva!

Muito familiar esse diálogo. Creio que todos quando crianças já tiveram a sensação de ser pego num ato ilícito. Nós nos sentimos nus, sem ter para onde fugir ou como esconder a vergonha. Aquela vantagem inicial é a que nos traz morte hoje, o salário justo do pecado. E para que não comessem da árvore da vida, Deus os tirou do jardim. Deus para disciplinar os tirou todas as vantagens que possuíam inclusive o Éden.

Por que achamos que fazendo diferente vai dar certo? Graças a Deus não tenho do que reclamar neste aspecto, pois minha mãe nunca cedeu aos apelos de nenhum dos filhos, com ela era “Não pode”. Isso era suficiente, funciona até agora... Marmanja com quase 30 anos nas costas. Eu poderia até questionar por que não? Ou pensar, será que se eu fizer isso vai acontecer aquilo mesmo? Ela não me condenaria por duvidar, duvido até hoje, mas por desobedecer. Os pecados são sempre a prática de algo que não deveria ter sido feito.     

Depois do erro não teve nenhum senão da parte de Deus. Sofreríamos as consequências de nosso ato, geração após geração. Mas esse não era o plano original de Deus, embora previsto. Pelo determinado conselho e presciência de Deus, Jesus, o Filho Unigênito do Pai, o Segundo Adão, primícias de uma nova criação, veio ao mundo para ser entregue por nossos pecados (Atos 2:23). O homem nunca pode por si próprio reparar seu erro, Deus pela obra de Jesus Cristo, resolveu reparar a natureza corruptível de todo homem que crê.

“Porque, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos Pecadores, assim também pela obediência de um, muitos serão constituídos justos”. Romanos 5:19

“Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo”; Romanos 10:9

E o bom é que a nova ordem não é, faça isso e aquilo, ou não faça isso ou aquilo se não não será salvo. A salvação é dada por graça “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus”; Efésios 2:7. De uma coisa não duvido, se o futuro da nova criação dependesse de nós, cairíamos novamente.

Meu desejo é que todos que tem filhos pensem no que realmente importa. As vantagens do mundo nos afastam de Deus, ainda que seja o pirulito, o vídeo game, o passeio, isso leva as crianças para longe do coração de seus pais, e cada vez mais para a ilusão da recompensa por obras, um empecilho para a fé, e algo contra o que foi determinado por Deus e vale para todos:

“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa)” Efésios 6:1-2. E a promessa era para que te vá bem e se prolonguem os dias sobre a terra.


P.S: A história inicial é fictícia, embora muito conhecida.


sexta-feira, 25 de abril de 2014

Amém



Estive algum tempo meditando sobre algumas coisas que se tornam tão comuns pelo uso que perdem o seu sentido. Às vezes, utilizamos expressões esvaziadas de seu verdadeiro sentido. Exemplos: Eu te amo! Graças a Deus! Amém!

Palavras. Penso que não devo usá-las sem cuidado, principalmente essas expressões com rótulos cristãos; ou ainda, não devo usá-la em qualquer situação que tenha aparência de piedade cristã.

Nos últimos tempos venho estudando o uso da palavra Amém na Bíblia. 

Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto.
Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento.
De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto, o Amém, sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes? 1 Coríntios 14:14-16

Aqui a passagem fala da responsabilidade de quem fala e como fala. No entanto, é dito também que o Amém, o “assim seja”, pressupõe a necessidade de entendimento do que foi dito. Às vezes não basta que a mensagem seja em minha própria língua, a mesma Bíblia exige entendimento.

Um dia Jesus esteve presente junto a um poço ao lado de uma mulher samaritana (João 4).

Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber. João 4:7

A mulher conhecia todos os costumes religiosos da região. Os judeus não se comunicavam com os samaritanos, ela conhecia a história de Jacó, reconhecia Jerusalém como o lugar de adoração dos Judeus, embora adotasse religiosamente outro lugar de adoração (o monte do versículo 21) e ela também aguardava o Messias.

Ela conhecia as profecias, e pelas palavras Dele ela creu que Jesus era o Cristo, o Messias aguardado e foi prestar testemunho aos de sua terra. Os samaritanos creram primeiro pelo testemunho da mulher:

E muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele, pela palavra da mulher, que testificou: Disse-me tudo quanto tenho feito. João 4:39

Duas coisas se destacaram para mim com esta leitura, primeiro, a mulher só percebeu que Jesus poderia ser o Cristo porque conhecia as profecias! Quanta sabedoria nós recebemos quando temos conhecimento das Escrituras! Apesar de os samaritanos não gozarem de boa fama entre os judeus por sua particular prática religiosa, ou seja, divergente daquela praticada entre o povo de Israel, eles possuíam conhecimento das Escrituras (conhecimento nem sempre quer dizer entendimento). Depois de reconhecer a verdade ela foi testemunhar a outros que também conheciam a Palavra e pôs a prova os fatos:

Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Porventura não é este o Cristo? João 4:29

Creio que não foi uma manifestação de dúvida, mas de ordem e discernimento. 

A Bíblia relata que quando o Apóstolo Paulo junto a Silas foram a Beréia, todos os que estavam lá, ouviram de bom grado examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim (Atos 17:11). Ou seja, eles ouviram aqueles homens de bom grado porém foram provar o que havia sido dito, sob a luz da Palavra.

Claro que há uma enorme diferença, pois a mulher estava diante da luz, do verbo. Mas ela foi comunicar aos varões de Samaria. E assim aqueles homens que ouviram de bom grado o testemunho da mulher foram até Jesus. Quão bom é ouvir, ou mesmo ler o testemunho e ensino de irmãos, mas infinitamente mais importante é por à prova tudo que é dito, sujeitar todo o conhecimento ao discernimento do Espírito Santo que nos dá entendimento.

E muitos mais creram nele, por causa da sua palavra.
E diziam à mulher: Já não é pelo teu dito que nós cremos; porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo. João 4:41-42

Podemos estar sinceramente enganados. A quem, ou a que dizemos Amém? Com quais ideias estamos comungando? Temos examinado nas Escrituras se assim é, ou temos dito assim seja para tudo aquilo que tenha aparência de piedade? Os samaritanos não disseram amém ao que a mulher disse, pura e simplesmente, foram buscar aquele “profeta” anunciado e ouviram eles próprios o que Ele dizia, e as Suas Palavras, vale lembrar, eram as Palavras de Deus, dispensando assim o exame nas Escrituras, neste caso.

Examinai tudo. Retende o bem. 1 Tessalonicenses 5:21

Deus nos fala por intermédio de homens, mas Ele também fala a nós mesmos pela Sua Palavra. Isso faz toda diferença.

E ao anjo da igreja de Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus (...)
Apocalipse 3:14