quinta-feira, 1 de junho de 2017

Eutanásia



Estava ouvindo um programa de rádio que diariamente debate os principais assuntos em pauta na mídia e um dos temas do dia foi: “Abreviar a vida de quem sofre terrivelmente, sem perspectiva de melhora, pode ser a melhor resposta que um médico pode dar”. Esta é a opinião do médico holandês Rob Jonquière publicada pela revista VEJA com o enunciado “Eutanásia, um ato de amor”. 

Muito me admirou a concordância unânime dos participantes e ouvintes que se manifestaram sobre o direito humano de atentar quanto à própria vida, ou dos familiares de autorizar o ato a fim de poupar o sofrimento nos casos de doenças declaradas irreversíveis. Ouvi coisas como “Deus há de entender”, “Um leito de UTI custa caro”, “existem sofrimentos onde a alma já está negociando com Deus”.

Quão miserável é o homem que acha que pode negociar com Deus, Ou, que daria o homem pelo resgate da sua alma? Marcos 8:37.” Sem dúvida a medicina humana pode declarar certas doenças incuráveis e irreversíveis. A questão não é simplesmente a vontade sincera de obter cura e alívio para o mal, ou a vida no corpo que possui uma natureza corrompida e por isso adoece e morre. Recentemente escrevi aqui uma reflexão sobre um livro que romantizou o suicídio assistido de um tetraplégico e virou best seller e agora mais uma vez o tema voltou mostrando-se cada vez mais popular e natural. A questão é eterna. O alívio imediato é garantia do que diante de uma alma imortal?

Existiu um homem que relatou um sofrimento intenso da seguinte forma: Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas.
A minha força se secou como um caco, e a língua se me pega ao paladar; e me puseste no pó da morte
e ainda Poderia contar todos os meus ossos. Eram os sofrimentos de Jesus Cristo (Salmos 22:14,15;17). Muita coisa além do sofrimento físico estava envolvida no episódio da cruz, e simplesmente imaginá-lo fez com que Ele dissesse: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua. Lucas 22:42”.

"Não beberei eu o cálice que o Pai me deu?" João 18:11

Eutanásia quer dizer em sua origem grega “morte boa” ou fácil. Abreviar a dor como dissera. Não há espaço em um coração crente para duvidar da disposição do Senhor Jesus Cristo em cumprir a obra segundo a vontade do Pai em perfeita obediência e condução do Espírito Santo:Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz" Filipenses 2:6;8. Jesus sendo Deus quando feito homem não usurpou ser igual a Deus e por tão pouco o homem sendo pecador arruinado usurpa desse direito que não é direito é rebelião! Tudo isso é o exemplo de que do começo ao fim, independente do tamanho da dor, bendita seja a vontade de Deus declarada na sua palavra.


Não há dúvidas de que a angústia e sofrimento tenham seu lugar e seja motivo de reflexão para quem sofre a dor e para quem está em volta sofrendo junto. Mas quem de nós sabe os planos de Deus e todas as obras invisíveis que ele opera nos corações dos homens diante dessa breve tribulação do homem nesse mundo? Não saber quais são estes planos nos detalhes não justifica o desejo de abreviar a vida, pois se somos crentes temos o Espírito Santo para nos consolar durante esse momento e se não cremos quão mais assustadora se torna esta decisão que poupa o corpo do sofrimento presente para ter a alma lançada no tormento eterno!

"Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?" Romanos 8:35


Os nossos sofrimentos têm seu propósito, e em muitos casos vemos que a doença leva mais homens a Cristo de que momentos religiosos e de gozo do mundo. Deus é amor, disseram no programa de rádio. Sim, Deus é amor, e sem duvidas em cada minuto de nossas vidas ele está derramando seu amor, seja atraindo os incrédulos a Cristo pelo sofrimento de um amado cristão ou velando até o último segundo de vida de um incrédulo na tentativa de convertê-lo para que se salve. Precipitar a morte seria apenas a vitória de Satanás na sua missão de afastar o homem de Deus.


"Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.
Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente;
Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas."


2 Coríntios 4:16-18


domingo, 28 de maio de 2017

Perfume de Missa



Tive o imenso privilégio de nascer num lar cristão. Ao contrário do que ouvi certa vez de que a “minha base de conhecimento está em cima de uma religião evangélica”, nada podia estar mais fora de contexto, pois nasci numa família católica. E não bastasse isso tinha uma repulsa tradicional por tudo que continha o selo gospel, ou seja, evangélico. Eu tinha horror a crentes! O que não era propriamente uma opinião racional era só algo que eu tinha aprendido no ambiente.

Recordo com carinho de quando a família ia reunida à missa, era uma ocasião solene que exigia as melhores roupas - por mais pobres que fossemos sempre tínhamos as “roupas de sair” – e também me lembro do perfume característico que minha mãe distribuía em nossos “cangotes” e lá íamos à “igreja”. Poucas coisas são dignas de nota.

Lembro que apesar da tradição fui batizada somente aos doze anos, para não morrer pagã, visto que minhas convulsões epiléticas tinham começado e ninguém sabia ainda do que se tratava. Lembro-me do terrorismo que faziam sobre “não mastigar a hóstia” que eu, criança, me consolava por não ser obrigada a participar por não ter feito o ritual da 1ª Comunhão. Lembro também de um cântico do coral que dizia “Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, Tende piedade de nós. Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, Dai-nos a paz!”.

A Palavra de Deus que é viva encontrou caminho até o meu coração por um sacerdote católico muito famoso, que tinha uma forma muito diferente de tratar o evangelho, naquele tempo, falava muito de Jesus e pouco (quase nada) de religião. Considerando que eu só tinha um livretinho do Novo Testamento e a leitura da bíblia não era um hábito doméstico e nem na “igreja” pouco significava para mim a expressão Cordeiro de Deus, mas o pecado do mundo eu fazia uma ideia. “Que pecado falar isso!” “Que pecado fazer aquilo!” Eu também não sabia que todos nascemos pecadores e por isso pecamos. Como ouvi de um irmão de fé uma vez: o limoeiro está destinado a produzir limões e o pecador a produzir pecados.

De todas as bem intencionadas almas religiosas a minha volta, que tanto temia por minha doença e me privava de ir ao mercadinho da esquina para poupar-me de perigos, ninguém nunca mencionou o perigo de viver um segundo a mais que fosse sob o risco da condenação eterna. Que existia um Deus justo o suficiente para exigir a condenação do pecador e um Deus igualmente misericordioso que providenciou seu Filho Santo, Jesus Cristo, para se sacrificar em nosso lugar, tal qual o cordeiro sem mancha era usado antes pelo povo de Israel para purificá-los dos pecados no judaísmo instituído pelo próprio Deus.

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16

Em nenhum outro lugar ou caminho há salvação. Nem para o mais bondoso e caridoso incrédulo, nem para o professante religioso de qualquer credo que duvide desta mesma verdade ou a rejeite. Ninguém. Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. João 14:6. Aprendi pela fé que não fazia sentido cantar todo domingo “Cordeiro de Deus Tende piedade de nós” e “Dai-nos a paz”, pois a obra foi consumada! Cristo apiedou-se de nós e enfrentou o castigo que merecíamos de uma vez por todas e para todos. Por Ele é dada a paz com Deus, aos que creem, sem que precisemos pedir repetidamente. Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; Romanos 5:1

Muito mais acertadamente hoje canto:

Em pecado foste feito, 

Por nós, tão vis, lá na cruz; 

O juízo recebeste, 

Dando-nos a paz, Jesus.

Ó Cordeiro, de Deus Filho, 

Te louvamos Salvador; 

E sabemos que Teu brilho 

Nos farás ver, em fulgor*!


E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave. Efésios 5:2

Hoje posso dizer que sou crente, não no sentido corrente de filiada a uma religião dita “evangélica”. Não me converti a uma religião, mas a Cristo Jesus, Salvador.

* Hino Quão Imensa Foi a Graça! (Oh The Deep, Deep Love of Jesus) Ton-Y-Botel; Ebenezer; 
Estêvão;