domingo, 16 de outubro de 2016

Bando de Louco





Realmente não consegui ainda decidir o que é pior nesse mundo, ser jovem ou estar prestes a deixar a idade que o mundo ainda considera como juventude. Somos expostos a todo tipo de comportamentos e produtos que a mídia, os pais, os colegas da escola, de trabalho e uma centena de outros canais de estímulos julgam ser adequados e necessários para cada idade.

Poderia questionar a idoneidade de todos esses canais, mas a questão é outra. Quando um comportamento é conduzido com base na fé, aí entra o censo crítico de todas as outras vertentes questionando e tentando nos convencer de que estamos errados. É natural, mesmo porque um jovem de fé parece um extraterrestre, um louco.

Já disse e repito que também já achei os cristãos um bando de louco, e hoje tendo a mesma fé reconheço que muito que eu via era teatro, encenação, mas não o que eu ouvia. Era essa Palavra que quanto mais eu ouvia, mais buscava entender (sem conseguir), mais ardia dentro de mim e me humilhava. O que aquele doido quis dizer com aceitar Jesus? Eu vou para o inferno por ter feito isso e aquilo errado? Mas fulano fez mais coisas erradas que eu, talvez se eu for a uma igreja pagar penitência meus problemas serão resolvidos! Minha doença é castigo de Deus?

Essa Palavra de Deus, como tal, tinha um poder de superar a deficiência do pregador e do ouvinte, com seus preconceitos e vícios do velho homem. Conseguia ouvir um padre carismático na TV, livros de origem duvidosa, que não recomendo, e um monte de crentes bem intencionados que eu olhava torto, e acima de toda resistência Deus me dizia que eu estava fazendo as perguntas erradas.

Toda dúvida girava em torno do que eu precisava fazer ou deixar de fazer para resolver minha questão com Deus. Nascemos sentindo no mais íntimo que as coisas não podem acabar aqui, morreu já era, não é digno de uma criação tão sublime. E se não acaba aqui qual será o nosso fim? Que seja o melhor, certo? Deus o que eu preciso fazer para pagar meus pecados? – Morrer. Era a resposta de Deus!

Como juiz Deus estabeleceu que todo pecador deveria receber a pena capital. Sendo assim, quem aceitaria essa pena? Deus precisava cumprir com sua justiça, mas não nos deixaria sem sua misericórdia, e então providenciou um substituto santo e imaculado, que seria o único capaz de executar tal obra para sua própria glória, Jesus Cristo Seu Filho. Ele morreu para tirar o pecado do mundo e salvar todo aquele que cresse. Eu acredito que Cristo morreu por meus pecados, todos eles, então o salário do meu já foi pago, no seu corpo sem pecado, e Deus o ressuscitou mostrando a todos nós a aceitação do sacrifício do Cordeiro.

É indizível o alívio que isso dá, crer que alguém pela misericórdia de Deus pagou a pena no meu lugar, e que o sangue derramado desse Cordeiro Santo é suficiente para diante de Deus limpar todo aquele que se achega humildemente a Ele e se reconhece pecador, não por cometer esse ou aquele pecado específico, o mais puritano indivíduo nesse mundo é pecador, por estar na condição do corpo, mas o espírito pode ser salvo hoje e o corpo regenerado pela graça, lá naquele capítulo porvir que todos sentimos existir, e que um dia o próprio Senhor Jesus, primeiro feito homem a estar lá, vai voltar para nos levar.


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domingo, 7 de agosto de 2016

O Bom Tesouro do Seu Coração


(...) porque da abundância do seu coração fala a boca. Lucas 6:45

Já faz mais de dois anos que escrevo neste blog, meu diário em fragmentos. Muitas vezes tentei escrever sobre um assunto e não consegui, me revirei com um fervor nas pontas dos dedos, mas toda sorte de distração me impedia de escrever. O mesmo aconteceu agora. Não é fácil falar sobre o coração humano.

Quando se fala em tesouro no coração, parece momentaneamente que é possível que exista algo de bom no coração do homem natural. No entanto, quando encontro alguém com esse tesouro, percebo que isto vem de Deus.

A mesma palavra que fala que o homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, também diz que não há ninguém bom senão Deus (Lucas 18:19). Logo resta a certeza de que se fazemos algo que mereça o título de “bom” devemos graças a Deus!

Não podemos duvidar da bendita ação de Deus nesse terreno tão delicado e traiçoeiro que é o coração humano, que tudo faz para fugir de tão grande amor e salvação. Antes da minha conversão eu pensava que Deus só agia dentro das “igrejas”, fosse qual fosse, o conhecimento de Deus era domínio dos religiosos. Nunca fui tão radical ao ponto de achar que os religiosos houvessem criado o conhecimento de Deus, mas que havia um monopólio.

Nunca estive mais enganada! Primeiro que no mundo não há monopólio, quando o assunto é religião. Para cada um que aceite uma ideia diferente existe um líder correspondente. Cada um adota o trecho da Bíblia que lhe cabe para a fé que lhe convém. Isso não merece o título de bom. O que ficou bem claro nesta confusão é que se não há consenso é por que nenhum deles aceita tudo que está testificado por Deus. Se a Bíblia tivesse sido escrita por homens (pela sua autoria e não pelas suas mãos), os homens a seguiriam a risca, sem reclamar.

Assim como eu um dia estive fora de tudo aquilo (e continuo) e vi que Deus agiu em mim, agora percebo a sua misericórdia a minha volta por meio de outras pessoas. Não sei se no meu tempo alguém conseguia enxergar em mim o bom tesouro que Deus depositara em meu coração, eu ali em meio a um turbilhão de dúvidas, e ao querer saná-las causava mais discórdia entre os “religiosos” que deveriam ser mais sábios que eu. Pensava. Eu porém, olho e sinto um amor imenso.

A doença da carne parece-me uma das mais dolorosas consequências da entrada do pecado no mundo, e, no entanto, é uma das circunstâncias mais promissoras para que um coração seja tocado pela fé. Quantas pessoas buscam o milagre da cura ao invés de saúde? Quantos buscam sobreviver ao invés de viver? Parece a mesma coisa, mas não é. Por um tempo eu pensei que o que eu precisava era ser curada. Mas nunca pedi um milagre, no fundo o Senhor já havia me convencido que eu não tinha nada útil a fazer ainda com minha saúde, meu coração mau ainda estava a todo vapor com vontade de errar. Ao invés disso, minha situação foi lapidando as pessoas a minha volta, sem prejuízo nenhum a mim.

E mesmo hoje, ainda pude viver para testemunhar como o agir de Deus no coração do próximo também serve para me lapidar. Como o amor de Deus me comove, e me faz a amar os seus! Que alegria isto me causa. Quando eu desisti da cura, ela veio. Um dia antes de um dos meus aniversários, tive uma crise derradeira, para nunca mais. Louvado seja Deus! Como eu poderia depois de uma graça bendita viver só para mim? Só para os meus prazeres? Para o meu próprio bem estar, sem pensar no reflexo disso diante de Deus e dos seus amados escolhidos?

Eu não me envergonho de testemunhar a minha fé. Em meio a tanta religião que se diz cristã e não reconhecem o senhorio de Cristo, e prestam um terrível testemunho aqueles que não têm conhecimento da fé, da pura fé no Filho de Deus que veio ao mundo para salvar os pecadores, os perdidos. Em meio a tudo isso, eu sei que Deus não deixa sua obra sem testemunho, e foi Ele que enviou seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor e ele pode mostra-Lo ao coração mais vil e distraído pelas falsas alegrias deste mundo.

E Jesus clamou, e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou.
E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou.
Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.
E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. João 12:44-47